O que grandes empresas podem experimentar com Negócios de Impacto Socioambiental

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As empresas deveriam ter como foco endereçar necessidades concretas da sociedade e do planeta? Essa pergunta reflete uma questão norteadora do nosso trabalho e estudos no Sense-Lab.

Mesmo vindo de setores mais tradicionais da economia, as questões sociais e ambientais sempre me preocuparam. Ainda estudando engenharia na USP, eu lia muitos livros e artigos sobre mudanças climáticas, excesso de uso de recursos e desigualdade. A partir dessas leituras, eu me questionava quais os limites da nossa ação coletiva e quem de fato se ocupa em endereçar esses desafios, tão fundamentais e cada vez mais urgentes para a nossa sobrevivência como civilização.

Já dentro de uma grande corporação e, posteriormente, como sócio de uma empresa de médio porte, o papel das empresas começou a se tornar central nessas reflexões. Será que negócios são só negócios ou eles têm um papel maior na nossa atuação coletiva?

Empreendi o Sense-Lab há 4 anos com foco nestes questionamentos.

O ponto de inicio, naturalmente, foi o campo de Negócios de Impacto Socioambiental. Percebi que todo um ecossistema, incluindo startups, fundos de investimento, aceleradoras, institutos e fundações, governo e academia, já se estruturava em torno dessa nova lógica. Uma proposta que alia impacto socioambiental positivo e resultado financeiro. Este campo vem acumulando uma série de vitórias e enfrentando também diversas barreiras para se viabilizar como alternativa para os negócios convencionais.

O crescimento no campo é vertiginoso e atrai da atenção de atores relevantes de diferentes setores, incluindo o governo federal. Porém, o fato é que o chamado Setor 2.5 segue sendo uma bolha onde todos se conhecem e que ainda tem penetração limitada no mainstream econômico.

Ao mesmo tempo, é cada vez mais claro para os atores do segundo setor, e as grandes empresas em especial, que o custo de não agir para resolver questões que afetam todo o planeta é alto. Observamos diversos movimentos que buscam integrar a lógica de impacto socioambiental também ao modelo de negócios dessas organizações.

A pergunta que emerge é: Onde que esses movimentos convergem? Quais são o papel e os limites dos Negócios de Impacto? Entendo que grandes empresas, em geral, não vão se tornar Negócios de Impacto da forma como convencionamos defini-los. Porém, o campo de Negócios de Impacto já́ vem experimentado uma nova lógica há mais de uma década e oferece um amplo terreno de oportunidades para troca e colaboração para acelerar esta agenda também nas grandes empresas.

Temos aí uma opção robusta e em pleno andamento para experimentar o futuro. As grandes empresas têm uma oportunidade de ouro para observar, interagir e aprender com atores que têm menos a perder e mais disponibilidade em testar novas formas de jogar o jogo. Está na hora de elas abraçarem essa oportunidade.

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