Em muito, as matrizes afro-brasileiras contribuem para o crescimento e o fortalecimento do setor 2,5. Por isso, a Aupa inicia hoje uma série de reportagens e entrevistas dedicadas a discutir o trabalho e a força de destes empreendedores e comunidades.

Há atores diversos que colaboram para o crescimento do empreendedorismo afro-brasileiro, como as aceleradoras, parcerias com instituições de ensino públicas e práticas de educação. Pelas próximas três semanas, reportagens com esses personagens mostram um breve panorama da relevância afro no ecossistema de impacto.

Empreendedorismo entre negros avança

Segundo o Sebrae, entre 2002 e 2014, a participação de empreendedores negros avançou de 43% para 51%. São cerca de 11 milhões de empreendedores afrodescendentes no Brasil. O dado foi impulsionado também pelo maior número de pessoas se autodeclarando pretas ou pardas neste período. Contudo, apenas 29% destes empreendedores empregam ao menos uma pessoa.

Instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) têm investido em negócios de impacto social entre empreendedores afrodescendentes, por intermédio do Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros. A iniciativa é liderada por Luana Marques Garcia, especialista em Desenvolvimento Social da Divisão de Gênero e Diversidade do BID. O projeto aconteceu entre 2015 e 2017 e investiu US$500 mil no segmento.

 

MIPAD100

Para destacar os profissionais engajados de diferentes países, a ONU anualmente seleciona negras e negros de várias partes do mundo para destacar os trabalhos que eles realizam em suas áreas de atuação e comunidades.

Trata-se do Most Influential People of African Descent (MIPAD), uma iniciativa da sociedade civil global em apoio à Década Internacional de Pessoas Afrodescendentes, proclamada pela resolução 68/237 da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Trabalhos e sujeitos relacionados à resolução serão observados entre os anos 2015 e 2024.

O MIPAD reconhece os trabalhos de 200 grandes empreendedores afrodescendentes, com menos de 40 anos e que atuem nos setores público e privado do mundo todo. Na lista há 100 nomes residentes na África e 100 afrodescendentes em países que receberam imigrantes africanos. Segundo a página do MIPAD , trata de uma “Rede progressiva de atores relevantes, com o intuito de apoiar o tema das décadas internacionais de reconhecimento, justiça e desenvolvimento da África, seus povos no continente e em toda sua diáspora”.

Na lista de 2018, 11 brasileiros estão entre os negros mais influentes do mundo. Na categoria Negócios e Empreendedorismo, os selecionados são: Nina Silva, fundadora do D’Black Ban; Lisiane Lemos, expert em B2B business; e Paulo Rogério Nunes, co-fundador da aceleradora Vale do Dendê, do Instituto Mídia Étnica e do Correio Nagô.

Também aparecem na lista os atores Kênia Maria e Érico Brás (do canal Tá bom pra você?), o rapper Emicida, o ativista Danilo Rosa de Lima, a filósofa Djamila Ribeiro, o jornalista Renê Silva, a arquiteta Sephanie Ribeiro e o diplomata Marcus Vinícios Moreira Marinho.

Leia os outros conteúdos da série:

“Eu compreendo que o resgate da ancestralidade está interligada a um processo de resgate da autoestima”, opina Jéssica Cerqueira.

“Nosso impacto é a construção de um mundo mais humano para nossa comunidade negra”, afirma Alan Soares.

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