Rastrear o invisível pode ser uma inovação social

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Tem sido bem interessante acompanhar o surgimento nessas eleições de várias soluções tecnológicas que ajudam o eleitor a votar. São empreendedores cívicos, cidadãos engajados, que vêm desenvolvendo ferramentas que dão mais transparência a campanhas e aos programas de cada candidato.

Para citar algumas dessas plataformas, temos a Calculadora de Afinidade Eleitoral 2018, da equipe d’O Iceberg. Trata-se de um site focado em assuntos da gestão pública desenvolvido por servidores públicos de carreira. A ferramenta compara suas posições políticas com as dos nove principais presidenciáveis. Os temas abordados são em economia, energia, proteção social, segurança e educação.

Outra iniciativa interessante é a da Lupa, primeira agência de fast-checking do Brasil. Sua equipe verifica o grau de veracidade de frases que contenham dados históricos, estatísticos, comparações e informações relativas à legalidade/constitucionalidade de um fato. Com base em dados, a plataforma tem classificado as frases ditas pelos candidatos em entrevistas e sabatinas como verdadeiras, falsas ou exageradas.

Tem ainda a Match Eleitoral, para ajudar na escolha de deputado federal, desenvolvido pela Folha e o Instituto Datafolha. A “Tem Meu Voto” é outra, que será lançada no dia 10 de setembro. E estes são apenas alguns exemplos.

Meu objetivo não é chamar a atenção para as tecnologias, mas para o processo de transparência e confiança que pode apoiar na resolução de problemas sociais e ambientais. Esse é um tema que tem gerado muitas oportunidades para empreendedores de impacto, não só na esfera pública, mas na privada também.

Alguns setores produtivos como a mineração, o agronegócio e a moda são os grandes vilões da poluição e também os que têm mais casos de condições precárias de trabalho no Brasil. Um grande desafio nessas indústrias é que suas atividades são muito pulverizadas, o que dificulta rastrear e dar mais transparência à sua cadeia produtiva. Mas o fator chave, sem dúvida, é mudança do modelo mental das lideranças, que vai estimular e permitir o avanço em novas soluções para problemas tão complexos. Eles precisam se convencer de que abrir os dados da empresa, suas fragilidades e suas ações para contornar os grandes desafios vai gerar confiança nos consumidores e na sociedade.

Só na indústria brasileira da moda, 1,2 milhão de pessoas trabalham de forma ilegal, isso significa 46% de toda a mão de obra do setor. As confecções têm 114 mil crianças e adolescentes trabalhando. São dados da Oxfam Brasil, organização que trabalha para reduzir as desigualdades.

Bem, a vontade genuína da indústria em ser mais transparente é fundamental para mudar esse cenário. Mas o desafio de conhecer a fundo fornecedores, suas práticas, rastrear toda uma cadeia de valor também traz um mar de oportunidades para empreendedores engajados em co-criar inovações sociais.

As tecnologias vem agregar valor a intenções verdadeiras de empreendedores em ajudar o cidadão a votar de forma mais consciente. Isso é uma baita contribuição. Da mesma forma, pensar e desenvolver projetos com setores com passivos ambientais e sociais tão significativos pode beneficiar indiretamente o elo mais frágil e invisível dessas cadeias.

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