Solidão, apego e dinheiro: quais são as ‘dores’ dos empreendedores sociais

Para empreendedores sociais, os desafios e as responsabilidades podem ser enormes. Rede de apoio deve se preparar para endereçar essas dores.

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Tornou-se lugar-comum dizer que vida de empreendedor não é fácil. Que empreender é girar e equilibrar vários pratinhos ao mesmo tempo. De fato, é um corre danado para montar equipe, pensar na infraestrutura necessária, na parte administrativa financeira, no desenvolvimento e aperfeiçoamento constante de produtos e serviços, nas estratégias de captação de clientes e recursos, e na exposição da empresa e do que ela se propõe a fazer. Além do que, o planejado nem sempre é seguido à risca. Mudanças ao longa da jornada também são muito frequentes e o que funciona para uns, pode não servir de nada para outros.

Empreender com propósito, ter mais que um negócio, ser movido por uma causa, é uma escolha também. É escolher um caminho árduo, de muita resiliência e — a depender do setor — de muito desbravamento.

Mas é sempre bom relembrar das armadilhas que os empreendedores estão sujeitos.

Em 2015, quando estava na gestão do programa de apoio a startups de educação no Instituto Inspirare, desenvolvemos um estudo sobre empreendedores desse setor. A pesquisa As Dores e Delícias de Inovar em Educação evidenciou as carências do empreendedor de Educação, que acredito serem comuns aos pares dos demais setores.

A amostra de 50 entrevistados trouxe algumas clarezas. Os empreendedores entram de cabeça e sofrem com: 1. a solidão na tomada de decisões; 2.  o apego e a paixão “cega” pela solução que desenvolvem; e 3. a falta de dinheiro. Tudo isso demanda apoios emocionais, estratégicos e financeiros.

Será que eles têm se preparado para tantos desafios? Será que a rede de apoio desses empreendedores está endereçando todas essas questões?

Ao longo dos últimos 10, 12 anos, novos apoiadores surgiram no ecossistema. Os chamados intermediários: aceleradoras, organizações de fomento, grandes empresas. Os programas de aceleração, como o nome sugere, têm o papel de intensificar o ritmo de crescimento de negócios em estágios iniciais. Para isso, incluem diversas e variadas formas de apoio, entre vivências, treinamentos, mentorias, conexão com potenciais investidores, espaço de trabalho e fortalecimento de networking.

Há muitas organizações sérias, fazendo trabalhos incríveis e fortalecendo os empreendedores e seus negócios. Mas é preciso refletir sobre os programas, sobre os empreendimentos e formação de seus líderes.

Empreender pode parecer super sexy e bacana, receber um prêmio aqui outro lá, ser convidado a palestrar, estar na mídia constantemente. Mas a gestão do negócio, a responsabilidade com as pessoas que acreditam no sonho do empreendedor e topam seguir junto, nunca pode ser deixado de lado.

O estudo do Inspirare concluiu que o empreendedor com conhecimentos de negócio, como gestão, desenvoltura comercial e entendimento dos conceitos de uma startup leva vantagem sobre os demais. Por mais que a jornada na educação, e em outros setores específicos, traga várias surpresas ao longo do caminho, os que têm em mente o negócio, lidam melhor com os imprevistos e têm uma análise estratégica constante das fragilidades internas e externas da empresa.

Por outro lado, o estudo apontou que o impacto é o resultado final que todos buscam. O empreendedor deve ter sempre em vista sua finalidade social, sabendo medir, planejar e replanejar o futuro do negócio a partir do impacto desejado e declarado.

De certa forma, os programas de aceleração já focam bastante no desenvolvimento e crescimento da figura jurídica. Talvez seja hora de trabalhar o autoconhecimento da física, da figura do empreendedor.

 

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